Saiba mais sobre a coleção que vai atrás das nossas origens! | Saint P

Saiba mais sobre a coleção que vai atrás das nossas origens!

Publicado: 07/08/2018



O processo para a elaboração de uma nova coleção exige pesquisas, busca por referências e tendências e muito outros detalhes.

A Saint P que é uma marca de streetwear nascida em São Paulo queria apresentar algo que representasse a sua cidade natal. A primeira ideia era falar dos contrastes presentes na cidade e que muitas vezes poderiam ser vistos no mesmo quarteirão. 


Porém, após um insight veio a mudança do conceito. Por que não falar sobre a nossa descendencia? Algumas populações que construíram o que temos hoje como sociedade? E após isso, a ideia não saiu mais da cabeça.

Até que finalmente em Julho de 2018 a coleção cápsula “Origins” foi oficialmente lançada. 


O nome Origins deixa claro a inspiração: a origem de tudo. 

A marca explorou três populações que contam um pouco a história de São Paulo e do Brasil: os indígenas, os africanos e os japoneses




Não se pode falar de Brasil sem falar dos indígenas. Eles habitavam nossas terras muito antes da chegada dos europeus. Estima-se que até 1500 havia cerca de 4 milhões de índios por aqui. 

Cada etnia possuía sua própria cultura, religião e costumes. 


O respeito pela natureza era grande - já que era dela que eles tiravam sua alimentação, moradia, remédios - e chamava a atenção dos portugueses. 

Após a chegada dos europeus a vida dos indígenas mudou completamente. Eles foram enganados, explorados, escravizados e em muitos casos massacrados. 

Perderam seu espaço e foram obrigados a abandonarem sua cultura para se adaptarem a cultura europeia. 



"Primeira miss do Brasil", obra em oléo sobre tela de Victor Meirelles e que apresenta 

uma visão idealizada do episódio narrado por Pelo Vaz de Caminha.


Embora muitas populações indígenas tenham enfrentado os portugueses, a falta da arma de fogo os colocava em desvantagem diante dos europeus.  


Hoje a situação da população indígena é muito diferente. 


“Em 1992, o censo incluiu pela primeira vez a categoria "indígena" como raça e os dados revelaram o percentural de 0,2% no total da população brasileira, com 294 mil pessoas declaradas. 

Segundo os dados mais recentes do IBGE, o Brasil tem 890 mil índios, pertencentes a 305 etnias.

A maioria dos indígenas (70%) está concentrada em seis estados da região da Amazônia Legal: amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Pará. São 274 línguas já catalogadas, o que configura uma das maiores diversidades culturais do mundo. As línguas derivam principalmente de quadro grandes troncos: Macro-Jê, Tupi, Aruak e Karib. 

Da população atual, 57% vivem em Terras Indígenas oficialmente reconhecidas. Mas também existem famílias que moram na zona rural e em cidades. 

Em alguns municípios do Amazonas, por exemplo, é comum bairros de comunidades indígenas, a maioria vivendo em situação de pobreza. 

A FUNAI estima ainda que cerca de 40 povos se encontram isolados, sem ter tido contato com o branco. “, escreveu Carolina Cunha para o UOL no ano de 2015.


Crianças do povo Munduruku/Foto: Fábio Nascimento/Greenpeace



A Saint P, em referência aos índios, produziu uma camiseta de manga longa que estampa a figura de um índio botocudo - denominação genérica dada pelos colonizadores aos diferentes grupos pertencentes ao tronco macro-jê, cujos indivíduos em sua maioria usando botoques labiais e auriculares. 

Também chamados de aimorés - eles viviam pelo Sul da Bahia e região do Vale do Rio Doce, incluindo o norte do Espírito Santo e Minas Gerais. 

Junto da estampa, nas cotas um breve histórico, em inglês, dos indígenas no Brasil: 

“The indigenous culture has had a strong influence on our language, behavior and eating habits. It's estimated that between 4 and 5 million natives had lived in Brazilian lands before the colonists arrived.”


Camiseta "Indigenous"


Também não pode se falar de Brasil sem a presença dos negros africanos. 

Não se sabe ao certo a data da chegada dos negros em terras brasileiras, mas estudiosos acreditam que tudo começou em 1538. 

Os escravos negros eram capturados nas terras em que viviam na África e eram trazidos à força para a América, em grandes navios, em condições miseráveis e desumanas, tanto que muitos morriam durante o percurso, vítimas de doenças, maus tratos e fome. 


Interior de um navio negreiro, pintura do artista alemão Johann Moritz Rugendas. (aprox. 1830)


Os que sobreviviam e chegavam ao Brasil eram separados do seu grupo linguístico e cultural e misturados com outros de diferentes tribos para que não pudessem se comunicar.


A minoria branca justificava os maus tratos, a violência e a humilhação através de idéias religiosas e racistas que afirmavam a sua superioridade e os seus privilégios. 

Além de mão de obra, o escravo representava riqueza: era uma mercadoria que podia ser vendida, alugada, doada e leiloada. 

Eles eram vistos também como símbolo do poder e do prestígio dos senhores, cuja importância social era avalizada pelo número de escravos que possuíam. 


As marcas desse período tenebroso em nossa história são vistas até hoje já que a população negra é que mais sofre com a pobreza, com a desigualdade social, com o racismo, com a injustiça e com a indiferença. 


Apesar de obrigatória no currículo escolar, história de negros brasileiros ainda é deixada de lado nos livros e nas aulas, segundo ativistas 

| Fotos: Domínio Público/Divulgação/Museu Histórico Nacional/Audálio Dantas/MiltonSantos



Como forma de homenagem a Saint P buscou o nome de algumas figuras negras que foram essenciais na inserção do negro em nossa sociedade de forma mais justa e em posição de destaque pelo seu trabalho e talento: 

Ganga Zumba, Zumbi, Aqualtune, Grande Otelo, Luís Gama, Luisa Mahin, André Rebouças, Chica da Silva, João Candido, Nilo Peçanha, Adhemar F. da Silva, Tereza de Benguela, Cruz e Sousa, Dragão do Mar, Machado de Assis, Carolina M de Jesus, Dândara, Sabotage.


O detalhe final vem com a coroa que Basquiat - grande nome da arte dos anos 80 e também de descendência africana-  usava para representar seus heróis negros. 



Camiseta "Heroes"


Por fim, 2018 marca os 110 anos da imigração japonesa para o Brasil. E os japoneses representam mais uma das populações que a Saint P explorou em sua coleção cápsula. 

O primeiro navio com imigrantes japoneses, chamado Kasato Maru, desembarcou em 1908 no Porto de Santos. A bordo estavam 781 cidadãos japoneses que chegaram para trabalhar nas plantações de café. 


A interrupção do tráfico negreiro e as leis abolicionistas faziam emergir no Brasil uma necessidade por alternativas a mão de obra empregada nas lavouras cafeeiras e, por outro, o cenário de superpovoamento no Japão levou o governo local a tratar a emigração como uma solução para a crise social que se instalava no país.


Navio Kasato Maru.



Os primeiros brasileiros que tiveram contato com os imigrantes japoneses surprenderam-se com o comportamento dos nipônicos. 

J. Amândio Sobral, que atuava na inspeção de migrantes no estado de São Paulo registrou que os japoneses “saíram todos dos vagões na maior ordem e, depois de deixarem estes, não se viu no pavimento um só cuspo, uma casca de fruta” e completou dizendo que “surpreendeu a todos o estado de limpeza em que ficou o salão: nem uma ponta de cigarro, nem um cuspo, perfeito contraste com as cuspideiras e pontas de cigarro esmagadas com os pés de outros imigrantes”. 


A disciplina dos trabalhadores japoneses foi outro ponto que chamou a atenção dos brasileiros. Mesmo trabalhando e vivendo em más condições os novos imigrantes não faziam contestações. 

Apesar das más condições de vida e de trabalho enfrentadas pelos imigrantes japoneses, estabeleceu-se no Brasil a maior população japonesa fora do Japão, principalmente no estado de São Paulo, fazendo dos japoneses um importante integrante na composição étnica da população brasileira. 


Como homenagem, a Saint P bordou na parte da frente da camiseta, de cor amarela, no ideograma japonês (katakana) a palavra “São Paulo” e logo abaixo o logo da marca.


Na parte de trás, apresenta-se a figura de um dragão, uma figura mitológica e conta-se uma breve história da imigração: 

“The Japanese immigration to Brazil began in 1908 with the arrival of the ship Kasato Maru. Nowadays, Brazil holds the largest Japanese colony outside Japan.” 


Camiseta "Japaneses"


A coleção da Saint P ainda conta com dois gorros como complemento da coleção. Eles não fazem nenhuma referência específica a nenhuma das populações mas são um ótimo acessório!

A cor roxa de um deles é o destaque! 



Gorro Roxo




As peças estão a venda no site e são em quantidade limitada. Então, aproveita para garantir a sua já!




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